quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Rio dos reclames

o Rio dos reclames: biquines, bares, boites
se veste e despe com as coisas do Rio
e rio... dos teus reclames!

M´Eu lírico

Só sei viver de poesia
não literária, dos dias
pintar, sentir, desvendar
sempre inventando existências.

Viver borbulhando romance
quero agulha do palheiro,
a uma em um milhão,
que valha por todas.

A vida só é simples sem compreensão
poesia é simples e dispensa compreensão
então quero ser lírico
com sentidos abertos e indefinidos pra tudo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Abóbada

Olho na abóbada do céu
logo ali um país
e ora aqui era um tempo:
de se jogar bola na rua.

À ciência:
"a terra gira e é redonda",
é pelota que não pára:
venta todas nossas páginas.

Um menino que ontem me havia
acabou de chutar
sem saber que rodeava seu mundo inteiro.

Trato de esquecimento

“Finja que me esqueces
e juro que também o faço
E seguimos assim:
Justos e combinados.”

Perto de firmarem,
As partes pensam:
“O que será do pó que nos resta,
debaixo do tapete?”

E desistem do olvido tratado
Eis que assim converter-se-ia
em amor,
eternamente inacabado.

Pessoas Normais

Pessoas normais têm horário.
Seguem de férias à irrealidade,
aí volvem, casam-se, procriam
sorriem a todo custo a beleza da vida,
que se amarga ao hábito da crítica.
Suspiram até que a razão lhes arrefeça o coração,
E às vezes choram uma tristeza repentina.
Mas logo estendem guarda-sóis nas praias da alegria!
Pessoas normais fazem a fila andar,
sem direção, pois aí mora o prazer.
Espremem-se na folia
porque inexiste alegria vazia.
Pessoas normais são causalistas
causam quando chegam, quando vão, repartem-se.
e as vezes estudam fenomenologia:
espiam um raio, uma onda bater.

Pessoas normais não gostam de ser exceção.

Intróito

Pulemos esse intróito!
Tô assodado:
logo te cobrir de beijinhos.

Porque a razão não introduz,
só encerra.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Desamor.

Então a terra cobriu a semente que entregou de si o tudo como num parto em que se morre. Pela vida.

E a temerosidade era o sol. Enfurecido. Porque amava a semente, e a namorara desde fruta e flor. O sol inconformado amava aquela semente, dentre tantas. E não os sonhos que houvessem dentro dela ou a vida de outros.

Ele queimaria a planta, folha por folha, mais a raiz que alcançasse. Porque amava a semente e a queria eterna e por completo semente. Por não entender nada sobre a desmatéria do amar, do transformar vida aos sonhos, por falta de abnegação. Pela destruição.

De dor, a chuva respingaria lágrimas que regassem a terra amiga. Que escondia vida. A quem se lhe confiara a semente. No cadenciado abrigo da feminilidade do existir.