domingo, 8 de novembro de 2009

Siqueira Campos

Rua que corta
aorta suja do rio:
esgoto corre
pessoas lá e cá do metrô
ônibus e moto-taxi
almas além do São Sebastião,
dark penadas à fosfo-night...
que medo dos Tabajaras...
mas no Peixoto há serena-paz
coisas sujas e mais lindas:
bem no vértice do Cristo!

sábado, 7 de novembro de 2009

Cardiopata

O que arrebate meu peito?

penso, ao meu respeito...
uma inspiração!
faz pulsantes ondas cardíacas.

se inspira aquela essência_eterna
que ao borde da noite visita
e salutar faz que palpita
[forjando que vai parar]

só cardiopata de mentira
vício-prazer de se inspirar.

domingo, 1 de novembro de 2009

Enquanto.

Ele a amava como se espera uma fruta amadurecer no pé. Porque não estavam prontos. Num mundo em pó solúvel instantâneo.

Tinha dia que chovia, dia que fazia sol. Sobretudo, tinham dias. Com vinte e quatro horas, de sessenta minutos cada. E se ele a esperava contando as gotas e os fios de sol, contando os segundos, era porque tinha certeza no coração.

Por amor é que regava as plantas do quintal, como se fosse obrigação diária. Ele - que sempre estava com pressa demais. Parava ali seus instantes melhores, sob um céu laranja de amores certos e temporãos.

Apaixonado.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Precipício dois

Gosto quando fala em limites
de minutos e distâncias
como se regessem nosso verbo.

Adoramos o limite:
que te alongo, me alonga.
Eu, teu, de fora.

Você, precipício cada vez maior
e mais e mais, faminto.
quando a fome gigante...

então me jogo: aperitivo.

Sertão niilista

Minha praia tá longe da tua
melhor,
nem tenho paia:
habito sertão niilista.

Lá a gota, afoita, é fumaça,
então, não há lágrima.
Faço tudo que apraz,
e me apunhalas como quer.

Cactus abraçados, amando ao avesso
nós e nossas sendas:
avertemos um São Francisco inteiro...
até que nossa canoa não-seja, na linha do horizonte invisível.

Injeção niilista

Mais ausente me sinto presente
sabotagem no teu peito
vazio, que nada!
espia da janela: tudo que passa não te será mais.

Injeto, sim, angústia
até que sejas grito, e me alucines
saias doida, bêbada
traseunte da madrugada.

Quero que seja nada, sinta nada.
Não sintas.
Assemia só,
ao léu esquecida.

(Parei, faltou farinha.)

Niilismo em pós

O sofrimento niilista, por nada...
pó-de-nada,
que faz espirrar.

A balada niilista,
uma vibe sem artista,
ninguém se vê nem pega.

Uma linguagem niilista:
eu aqui, você aculá,
e a gente briga toda hora de se desencontrar.